RESPEITANDO OPINIÕES E DECISÕES.  escrito em quinta 23 abril 2009 15:11

A mim compete ler, observar e apoiar as opiniões e as decisões decorrentes. Como Mestre Maçom, possuimos a liberdade para agir dentro daquilo que nos orienta nossa consciência.

A Maçonaria não deixa de ser bela, e seus propósitos não deixam de ser verdadeiros e sábios, pela existência daqueles que agem com intolerância, com falsidade, com egoísmo, etc. Não deixará de existir enquanto exista no coração dos homens uma chama de bondade que traduz nossa essência como filhos de DEUS.

É, contudo, de se lamentar que as contrariedades afetem a alguns mais do que a outros, e que tantos acreditem na sua impossibilidade de mudar as coisas. Não somos Santos, pois Santidade é coisa que não devemos buscar neste mundo.

Talvez existam "dentro" muitos dos que gostaríamos que estivéssem"fora". Mas questionar este aspecto é, talvez,  julgar a inteligência do próprio G.'.A.'.D.'.U.'., esquecendo-se que existem "permissão" e "concessão", e que muitas vezes uma é dada enquanto a outra não. E com relação a ser ou não dada uma e outra, depende a propria evolução dos grupos e das pessoas dentro da Ordem.

Somos uma instituição humana. Jamais nos consideramos como seres perfeitos, mas mesmo assim tentamos nos melhorar. A Ordem não tem culpa pelos que não entendem o seu sentido, que não acolhem seus ensinamentos e, principalmente, pelos que desistem da luta.

Um Fraternal Abraço, a todos que da Ordem somente entenderam o aspecto LIBERDADE, usufruindo da mesma para se afastarem dela.

 

 

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A intolerancia de que se reveste a psudocultura maçônica está contaminando até mesmo aos profanos?  escrito em sábado 08 março 2008 13:09

A intolerância de que se reveste a pseudocultura maçônica está contaminando até mesmo aos profanos?

 

Com o perdão daqueles mais sensíveis à crueza da questão-título, respondo diretamente à pergunta que me foi formulada por um Profano, que possivelmente seja vítima da pseudocultura maçônica que assola nossos tempos. 

Infelizmente pode-se constatar empiricamente – mas isto poderia ser confirmado por alguma investigação “científica” – que está aumentando, para cifras nunca antes registradas, o número de imbecis, idiotas ou simples energúmenos, cujas opiniões, elucubrações ou meras manifestações de “pensamento” conseguem ser captadas com o favor dos meios de comunicação, pelo vasto universo de profanos curiosos, encontrando ai um eco mais amplo e ainda mais perturbador.

Por outro lado, nunca foi tão volumosa a produção literária a cerca do tema Maçonaria ou a simples manifestação do interesse de grandes massas em conhecerem ou serem Iniciadas em nosso meio. Com isso, algumas informações desencontradas sobre à Ordem se disseminam em todos os meios e de todos os meios. Assim, a humanidade “progride”, ainda que isto possa descrever como sendo uma “fatalidade” do acúmulo do conhecimento nem sempre verdadeiro, posto que o verdadeiro saber esteja em muito poucas mãos (e cérebros, para ser mais específico).

Com esses dois processos se desenvolvendo simultaneamente (o aumento da pseudo cultura maçônica e o aumento das distorções causados por ela), a resposta à pergunta central é, portanto, dupla e contraditória: nunca foi tão grande o número de pessoas partilhando de um mesmo conjunto de explicações simplistas – e basicamente erradas, quando não idiotas – sobre as complexidades de uma instituição, ao mesmo tempo em que aumenta gradativamente o número de despreparados que se sentem capazes de galgar as escarpas ásperas da nossa doutrina e de adotar explicações racionais, para a manutenção do sistema de castas, ou feudalismo. Uma coisa não exclui a outra.

Como sabem todos aqueles Irmãos que lidam diariamente com os problemas causados pelo governo da intolerância, quanto mais se amplia o acesso à Ordem, é inevitável a queda da qualidade, uma vez que se está lidando com os mais despreparados e carentes de toda e qualquer informação. Se aos candidatos fosse esclarecido o por que de nossa existência como maçons (se o orgulho e a falta de humildade não impedissem a muitos), possivelmente estaríamos resguardando o caráter humanitário da Maçonaria, mas como o que acontece é exatamente o contrário, estes homens passam impunes pela instrução formal e conservam – até aumentando, por hipótese pessimista – as mesmas superstições, os mesmos preconceitos, as mesmas explicações ingênuas que compõem o lote comum da pseudocultura maçônica, então só podemos prever o pior: o aumento das opiniões não-fundamentadas, e das respostas equivocadas às questões mais complexas de nossas ações, da vida e da sociedade. Pode-se até prever a consolidação da ignorância num verdadeiro “sindicato dos intolerantes”, cujos filiados crescem a olhos vistos.

Isto se aplica, por exemplo, aos obcecados pela regularidade maçônica e pelas explicações sobre a origem deste ou daquele Irmão, Loja, Obediência, assuntos que interessam tanto a quem quer trabalhar em prol do desenvolvimento da humanidade quanto o profundo conhecimento sobre o “sexo dos anjos” e, não obstante, verificamos com certa receio o crescimento do fundamentalismo maçônico e de variantes do irracionalismo, que só pode ser explicado como representando um processo de degeneração dos nossos augustos fundamentos. Estou cada vez mais surpreendido com o crescimento dessas interpretações literais sobre regularidade maçônica, “explicações” que afetam basicamente a capacidade de se fazer algo de melhor para o nosso mundo (ou será que é exatamente isso que desejam?).

Sem querer ofender ninguém em particular – possivelmente ofendendo, mas não me desculpando por isso –, só posso atribuir ao triunfo da ignorância o fato de que possivelmente mais e mais pessoas resolveram aderir ao marasmo, a falta de ideal e de propósitos superiores, buscando nas guerras internas um motivo, ou um objetivo que de alguma forma lhes dê razões para seu despropósito. 

Sem pretender chamar ninguém em particular de idiota – possivelmente chamando, e não me desculpando por isso –, surpreende-me, sim, que tantas pessoas resolvam aderir a uma visão terrivelmente contrária a LIBERDADE, A IGUALDADE e A FRATERNIDADE, impedindo que outros Irmãos e Irmãs alcancem suas chances futuras de progresso numa instituição que deveria inspirar ideais superiores e que possam contribuir para o bem-estar individual e coletivo, para uma qualidade de vida melhor para toda a humanidade.

Em outros termos, acredito que a pseudocultura maçônica, que prega a intolerância, o muitas vezes o radicalismo e a falta de fraternidade, nada ais é do que a conformação às tendências à preguiça e à acomodação, causando uma ausência de ideais ou de estímulos externos à criatividade e à inovação, oferecendo a maior parte da humanidade adaptar-se ao puro senso comum e às explicações elementares, que são obviamente rudimentares, quando não preconceituosas ou francamente equivocadas.

Seria relativamente satisfatório ao invés de se discutir quem é dono da Maçonaria ou do Mundo, que se procurasse arrancar grande parte dos homens deste estado de letargia intelectual, para que evite o triunfo das nulidades, como querem, possivelmente, alguns senhores feudais, e a vitória da ignorância de modo amplo, uma vez que muitos não distinguem entre a boa e a má “cultura”; entre a verdade e a falsidade, entre a racionalidade e o ilogismo mais absoluto.

Concluindo: a imbecilidade tem, sim, aumentado, pela força dos números, mas ela comandará cada vez menos os destinos da raça humana, a partir do momento que se busquem ideais mais elevados, dentro e fora de nossa Augusta Ordem.

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O ESPIRITISMO E A MAÇONARIA  escrito em quinta 06 março 2008 22:06

RECORDANDO ALLAN KARDEC

 

O ESPIRITISMO E A MAÇONARIA

 

(Eliseu Mota Júnior)

A origem da Maçonaria remonta aos povos mais antigos e vem acompanhando, dentro dos rigores da sua tradição secreta e ritualista, cada passo da civilização humana, nela influenciando sobretudo através da presença dos maçons nas mais diversas profissões.

Em um livro admirável sobre o assunto, o nobre maçom Luiz Prado, depois de lembrar que a trilogia Liberdade, Igualdade e Fraternidade é a divisa imortal do verdadeiro maçom, explica que a Maçonaria, na “sua trajetória gloriosa, tomou as denominações de ‘Ordem dos guardas da lei das doze tábuas’, ‘Ordem dos Essênios’, ‘Ordem dos Templários’, ‘Ordem do Cardo’, ‘Associação dos Pedreiros-livres’ e outras mais. Prossegue dizendo que o “reflexo da atual Maçonaria deve ter feito sentir-se nos tempos de Moisés, na Palestina dos Romanos e no Continente do Velho Mundo.”

No tocante ao significado vernacular, diz ele que o “vocábulo — Maçonaria — derivou do termo francês — maçon — que, traduzido para o português, quer dizer — ‘pedreiro’. Eis como se justifica o motivo dos maçons serem conhecidos como ‘pedreiros-livres.” [1]

A propósito, reina até hoje no movimento espírita uma séria dúvida em saber se Allan Kardec (ou Hippolyte Léon Denizard Rivail, seu nome civil) teria ou não teria sido maçom. Não que isso tenha importância capital para a Doutrina Espírita, mas permitiria conhecer melhor a opinião de Allan Kardec sobre a instituição maçônica. Contudo, referida dúvida ainda não pôde ser devidamente esclarecida.

Com efeito, André Moreil, conceituado biógrafo de Kardec, parece inclinado a responder positivamente, escrevendo que “não se sabe em que loja foi iniciado Denizard Rivail. Isto pouco importa. Os princípios eram os mesmos. Eis a definição ideológica da Maçonaria, segundo o Larousse do século XIX:

‘A Maçonaria tem por fim a melhoria moral e material do homem; por princípios, a lei do progresso da Humanidade, as idéias filosóficas de tolerância, fraternidade, igualdade e liberdade, abstração feita da fé religiosa ou política, das nacionalidades e das diferenças sociais.

‘O Espiritismo moral e social iria dizer justamente a mesma coisa. Os princípios filosóficos são absolutamente idênticos:

a)   Existência de Deus.

b)   Imortalidade da alma.

c)   Solidariedade humana.” [2]

Entretanto, depois de profunda investigação e minuciosos estudos, Zêus Wantuil, chegou à conclusão de que “... apenas existiu, entre Rivail e a Maçonaria, afinidade de princípios e ideais, sem jamais haver ele ingressado em loja alguma. É certo que sempre viu com simpatia a franco-Maçonaria, mas isto não implica nem prova qualquer adesão oficial da parte dele.” [3]

Deixando de lado essa polêmica, a verdade é que o Espiritismo e a Maçonaria têm inegáveis pontos em comum, e juntos poderão acelerar o progresso da Humanidade e o estabelecimento da justiça social, sobretudo através da perfeição moral dos espíritas e dos maçons. 

Seguindo então o nosso objetivo de pesquisar assuntos de interesse atual nas obras de Allan Kardec, verificamos que na sessão da Sociedade Espírita de Paris do dia 25 de fevereiro de 1864, várias dissertações foram obtidas sobre o concurso que o Espiritismo poderia encontrar na Franco-Maçonaria, que depois foram publicadas na Revista Espírita de Abril de 1864. Comunicaram-se naquela oportunidade os Espíritos Guttemberg (Médium: Sr. Leymarie), Jacques de Molé (Médium: Srta. Bréguet) e o franco-maçom Vaucanson (Médium:  Sr. D’Ambel). Vejamos a seguir algumas considerações que extraímos daquelas brilhantes comunicações, usando o método de perguntas e respostas:

 

P. Qual a importância social da Maçonaria?

R. “As instituições maçônicas foram para a sociedade um encaminhamento à felicidade. Numa época em que toda idéia liberal era considerada um crime, os homens necessitavam de uma força que, inteiramente submissa às leis, não fosse menos emancipada por suas crenças, por suas instituições e pela unidade de seu ensino. Nessa época a religião ainda era, não mãe consoladora, mas força despótica que, pela voz de seus ministros, ordenava, feria, fazia tudo curvar-se à sua vontade; era um assunto de pavor para quem quisesse, como livre pensador, agir e dar aos homens sofredores alguma coragem e ao infeliz, algum consolo moral. Unidos pelo coração, pela fortuna e pela caridade, nossos templos foram os únicos altares onde não se havia desconhecido o verdadeiro Deus, onde o homem ainda podia dizer-se homem, onde a criança podia esperar encontrar, mais tarde, um protetor, e o abandonado, amigos.”

 

P. Existe alguma afinidade entre a Maçonaria e o Espiritismo?

R. “Que é o que se pede a todo maçom iniciado? Crer na imortalidade da alma, no Divino Arquiteto, ser benfeitor, devotado, sociável, digno e humilde. Ali pratica a igualdade na mais larga escala. Há, pois, nessas sociedades uma afinidade com o Espiritismo de tal modo evidente que salta aos olhos.”

 

P. E os maçons conhecem o Espiritismo?

R. “A questão do Espiritismo foi posta em ordem do dia em várias lojas e eis o resultado: leram volumosos relatórios muito confusos a este respeito, mas não o estudaram a fundo, o que fez que nisto, como em muitas outras coisas, discutissem matéria que não conheciam, julgando por ouvir dizer, mais do que pela realidade. Contudo muitos maçons são espíritas e trabalham muito na propaganda desta crença. Todos escutam, e se o hábito diz não, a razão diz sim.”

 

P. A Maçonaria já aceita as idéias espíritas?

R. “O Espiritismo é uma irresistível corrente de idéias, que deve ganhar todo o mundo. É questão de tempo. Ora, seria desconhecer o caráter da instituição maçônica, crer que esta concorde em se anular, representar um papel negativo em meio ao movimento que impele a Humanidade para a frente; crer que ela apague o facho, como se temesse a luz. Esperai, então. Porque o tempo é um recrutador sem igual; por ele as impressões se modificam e, necessariamente, no vasto campo dos estados abertos nas lojas, o estudo espírita entrará como complemento, porque isto já está no ar. Riram, falaram; não riem mais: meditam.

“Assim, então, tereis uma pepineira espírita nessas sociedades essencialmente liberais. Por elas entrareis plenamente neste segundo período, que deve preparar as vias prometidas. Os homens inteligentes da Maçonaria vos bendirão por sua vez; pois a moral dos Espíritos dará um corpo a essa seita tão comprometida, tão temida, mas que tem feito mais bem do que se pensa.”

 

P. Como e quando isto acontecerá?

R. “Tudo tem um parto laborioso, uma afinidade misteriosa; e se isto existe para o que perturba as camadas sociais, é muito mais verdadeiro para o que conduz o progresso moral dos povos. Ainda alguns dias, e o Espiritismo terá transposto o muro que separa a maioria das paredes do templo dos segredos; e, nesse dia, a sociedade verá florescer no seu seio a mais bela flor espírita que, deixando suas pétalas caírem, dará uma semente regeneradora da verdadeira liberdade. Agora, glória ao Grande Arquiteto!”

 

    o —

 

(coluna originalmente publicada na Revista Espírita do Espiritsmo, Fevereiro de 1998)



[1]PRADO, Luiz. Ao pé das colunas. Rio, Ed. Mandarino, 3ª ed., pp. 13 ss.

 

[2] MOREIL, André. Vida e obra de Allan Kardec. SP, Edicel, 1986, Trad. Miguel Maillet p. 41.

 

[3] WANTUIL, Zêus, et alii. Allan Kardec. (Meticulosa Pesquisa Biobibliográfica.), Rio, FEB, 1979, Volume I, p. 161.

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Moral e Dogma - Albert Pike  escrito em quinta 06 março 2008 09:14

Moral e Dogma



A Maçonaria possui em sua filosofia um ensinamento que pode ser expresso num simples ditame: "Proteja os oprimidos dos opressores; e dedique-se a honra e aos interesses de seu País".

Maçonaria não é especulativa nem teórica, mas experimental, não sentimental, mas prática. Ela requer renúncia e autocontrole. Ela apresenta uma face severa aos vícios do homem e interfere em muitos de nossos objetivos e prazeres. Penetra além da região do pensamento vago; além das regiões em que moralizadores e filósofos teceram suas belas teorias e elaboraram suas esplendidas máximas, alcançando as profundezas do coração, repreendendo-nos por nossa mesquinhez, acusando-nos de nossos preconceitos e paixões e guerreando contra nossos vícios.

É uma luta contra paixões que brotam do seio dos mais puros sentimentos, um mundo onde preconceitos admiráveis contrastam com práticas viciosas, de bons ditados e más ações; onde paixões abjetas não são apenas refreadas pelos costumes e pelos cerimoniais, mas se escondem por trás de um véu de bonitos sentimentos. Este solecismo tem existido por todas as épocas. O sentimentalismo católico tem muitas vezes acobertado a infidelidade e os vícios. A retidão dos protestantes apregoa, freqüentemente, a espiritualidade e a fé, mas negligencia a verdade simples, a candura e a generosidade; e a sofisticação do racionalismo ultraliberal em muitas ocasiões conduz ao céu em seus sonhos, mas chafurda na lama de suas ações.

Por mais que exista um mundo de sentimentos maçônicos, ainda assim ele pode ser um mundo onde ela esta ausente. Ainda que haja um sentimento vago de caridade maçônica, generosidade e desprendimento, falta a pratica ativa da virtude, da bondade, do altruísmo e da liberalidade. A Maçonaria assemelha-se aí às luzes frias, embora brilhantes.

Há clarões ocasionais de sentimentos generosos e viris, um esplendor fugaz de pensamentos nobres e elevados, que iluminam a imaginação de alguns. Mas não há o calor vital em seus corações.

Boa parte dos homens tem sentimentos, mas não princípios. Os sentimentos são sensações temporárias, enquanto os princípios são como virtudes permanentemente impressas na alma para seu controle. Os sentimentos são vagos e involuntários; não ascendem ao nível da virtude. Todos os têm. Mas os princípios são regras de conduta que moldam e controlam nossas ações. Pois é justamente neles que a Maçonaria insiste.

Nós aprovamos o que é certo, mas geralmente fazemos o que é errado; esta é a velha história das deficiências humanas. Ninguém encoraja e aplaude injustiça, fraude, opressão, ambição, vingança, inveja ou calúnia; ainda assim, quantos dos que condenam essas coisas são culpados delas, eles mesmos.

Já nos foi dito: "Homem, quem quer  que  sejas, se julgas, para ti não há desculpa, porque te condenas a ti mesmo, uma vez que fazes exatamente as mesmas coisas."

É surpreendente ver como os homens falam das virtudes e da honra e não pautam suas vidas nem por uma nem por outra. A boca exprime o que o coração deveria ter em abundância, mas quase sempre é o reverso do que o homem pratica.

Os homens podem realmente, de um certo modo, interessar-se pela Maçonaria, mesmo que muitos deficientes em virtudes. Um homem pode ser bom em geral e muito mau em particular: bom na Loja e ruim no mundo profano, bom em público e mau para com a família.

Muitos desejam sinceramente ser bons Maçons. Mas é preciso que resistam a certos estímulos, que sacrifiquem certos caprichos. Como é ingrato aquele que morre medíocre, sem nada fazer que o glorifique para os Céus. Sua vida é como árvore estéril, que vive, cresce, exaure o solo e ainda assim não deixa uma semente, nenhum bom trabalho que possa deixar outro depois dele! Nem todos podem deixar alguma coisa para a posteridade, mas todos podem deixar alguma coisa, de acordo com suas possibilidades e condições.

Quem pretender alçar-se aos Céus, sozinho dificilmente encontrará o caminho.

A operosidade jamais é infrutífera. Senão trouxer alegria com o lucro, ao menos, por mantê-lo ocupado, evitará outros males. Se temos liberdade para fazer qualquer coisa, devemos encará-la como uma dádiva dos Céus; se temos a predisposição de usar bem esta liberdade, então é uma dádiva da Divindade.

Maçonaria é ação, não inércia. Ela exige de seus iniciados que trabalhem, ativa e zelosamente, para o benefício de seus Irmãos, de seu país e da Humanidade. É a defensora dos oprimidos, do mesmo modo que consola e conforta os desafortunados. Frente a ela é muito mais honroso ser o instrumento do progresso e da reforma do que deliciar-se nos títulos pomposos e nos autos cargos que ela confere. A maçonaria advoga pelo homem comum no que envolve os melhores interesses da Humanidade. Ela odeia o poder insolente e a usurpação desavergonhada. Apieda-se do pobre, dos que sofrem, dos aflitos; e trabalha para elevar o ignorante, os que caíram e os desafortunados

A fidelidade à sua missão será medida pela extensão de seus esforços e pelos meios que empregar para melhorar as condições dos povos. Um povo inteligente, informado de seus direitos, logo saberá do poder que tem e não será oprimido. Uma nação nunca estará segura se descansar no colo da ignorância. Melhorar a massa do povo é a grande garantia da liberdade popular. Se isto for negligenciado, todo o refinamento, a cortesia e o conhecimento acumulado nas classes superiores perecerão mais dia menos dia, tal como capim seco no fogo da fúria popular.

Não é a missão da Maçonaria engajar-se em tramas e conspirações contra o governo civil. Ela não faz propaganda fanática de qualquer credo ou teoria; nem se proclama inimiga de governos. Ela é o apóstolo da liberdade, da igualdade e da fraternidade. Não faz pactos com seitas de teóricos, utopistas ou filósofos. Não reconhece como seus iniciados aqueles que afrontam a ordem civil e a autoridade legal, nem aqueles que se propõem a negar aos moribundos o consolo da religião. Ela se coloca à parte de todas as seitas e credos, em sua dignidade calma e simples, sempre a mesma sob qualquer governo.

A maçonaria reconhece como verdade que a necessidade, assim como o direito abstrato e a justiça ideal devem ter sua participação na elaboração das leis, na administração dos afazeres públicos e na regulamentação das relações da sociedade. Sabe o quanto à necessidade tem por prioridade nas lidas humanas. A maçonaria espera e anseia pelo dia em que todos os povos, mesmo os mais retrógrados, se elevem e se qualifiquem para a liberdade política, quando, como todos os males que afligem a terra, a pobreza, a servidão e a dependência abjeta não mais existirão. Onde quer que um povo se capacite à liberdade e a governar-se a si próprio, ai residem as simpatias da Maçonaria.

A Maçonaria jamais será instrumento de tolerância para com a maldade, de enfraquecimento moral ou de depravação e brutalização do espírito humano. O medo da punição jamais fará do maçom um cúmplice para corromper seus compatriotas nem um instrumento de depravação e barbarismo. Onde quer que seja, como já aconteceu, se um tirano mandar prender um crítico mordaz para que seja julgado e punido, caso um maçom faça parte do júri cabe a ele defende-lo, ainda que à vista do cadafalso e das baionetas do tirano.

O maçom prefere passar sua vida oculto no recesso da penumbra, alimentando o espírito com visões de boas e nobres ações, do que ser colocado no mais resplandecente dos tronos e ser impedido de realizar o que deve. Se ele tiver dado o menor impulso que seja a qualquer intento nobre; se ele tiver  acalmado ânimos e consciências, aliviado o jugo da pobreza e da dependência ou socorrido homens dignos do grilhão da opressão; se ele tiver ajudado seus compatriotas a obter paz, a mais preciosa das possessões; se ele cooperou para reconciliar partes conflitantes e para ensinar aos cidadãos a buscar a proteção das leis de seu país; se ele fez sua parte, junto aos melhores e pautou-se pelas mais nobres ações, ele pode descansar, porque não viveu em vão.

A Maçonaria ensina que todo poder é delegado para o bem e não para o mal  do povo. A resistência ao poder usurpado não é meramente um dever que o homem deve a si próprio e a seu semelhante, mas uma obrigação que ele deve a Deus para restabelecer e manter  a posição que Ele lhe confiou na criação. O maçom sábio e bem informado dedicar-se-á à Liberdade e à Justiça. Estará sempre pronto a lutar em sua defesa, onde quer que elas existam. Não será nunca indiferente a ele quando a Liberdade, a sua ou a de outro homem de mérito, estiver ameaçada.

O verdadeiro maçom identifica a honra de seu país como a sua própria. Nada conduz mais à glória e à beleza de um país do que ter a justiça administrada a todos de igual modo, a ninguém negada, vendida ou preterida.

Não se esqueça, pois, daquilo a que você devotou quando entrou na Maçonaria: defenda o fraco contra o truculento, o destituído contra o poderoso, o oprimido contra o agressor! Mantenha-se vigilante quanto aos interesses e à honra de teu país! E possa o Grande Arquiteto do Universo dar-lhe a força e a sabedoria para mantê-lo firme em seus altos propósitos!

Albert Pike
Soberano Grande Comendador
Escrito em 1871

O Autor:    Escritor e advogado norte-americano. Autor de várias obras, tanto profanas, como maçônicas. Sua principal obra é Morals and dogma. Em 1859 foi eleito "Soberano Grande Comendador", tendo participado do Supremo Conselho Meridional do R.:E.:A.:A.:. Foi Grão-Mestre Provincial da Grande Loja Real da Escócia nos Estados Unidos. Foi "Membro Honorário de muitos Conselhos espalhados pelo mundo.  


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A MAÇONARIA ESTÁ VIVA PELOS SEUS IDEAIS  escrito em quarta 05 março 2008 20:45

Or.'. de Petrópolis/RJ, quarta-feira, 05 de março de 2008 (E.'.V.'.)

Encontro-me a estudar por livros e pesquisas, buscando compreender a verdadeira essência da "sociedade discreta" mais controversa da história: «A MAÇONARIA».
Ao longo de minha vida maçônica, tenho ouvido as críticas e elogios que esta sociedade, para muitos oculta, recebeu ao longo do tempo. 

Então me pergunto se não haveria sido dito tudo a respeito da Maçonaria?

E verifico que a própria abundância de títulos dedicados a temas relacionados com a Augusta Ordem Maçônica, demonstra que estamos longe de ter ouvido, ou lido tudo sobre esta maravilhosa instituição. Também verifiquei, que o mais importante é que, da Maçonaria se fala muito, mas com pouca clareza. Muitas pessoas saberiam associar a Ordem com alguns episódios históricos, algumas outras seriam capazes de citar os nomes de alguns supostos maçons históricos, mas quantas poderiam dizer o que é a maçonaria?

E o que é a Maçonaria?

Existem muitos livros que falam do tema da Maçonaria, mas quase todos estão centralizados na organização maçônica em si, e poucos – nenhum disponível para o grande público  – se dedicam a aprofundar nos princípios da Ordem. Ou seja, a responder à pergunta que a maioria dos profanos e mesmo dos Irmãs se fazem: «O que é a Maçonaria? Que tipo de ideologia há por trás desta organização?

Ela tem influência em nossa sociedade atual?


Se nos referimos à Maçonaria como «organização» – as diferentes Organizações Maçônicas – creio que hoje sua influência social não é muito grande, e inclusive poderia dizer que está em um tanto quanto adormecida, não só em alguns países, mas em todo o mundo. Pelo contrário, se nos fixamos nos princípios intelectuais da Maçonaria, ou seja, na Maçonaria «doutrina», não há dúvida alguma de que ela não só tem uma grande influência social, mas seus princípios adquiriram uma difusão quase universal. Todos nós estamos influenciados pelas doutrinas da Maçonaria: pelo naturalismo filosófico e o laicismo político. Quando a Maçonaria conseguiu estender seus princípios por todo o mundo, paradoxalmente, ou nem tanto, as Organizações Maçônicas começaram a perder sua vitalidade. 

Existe, então, uma teoria da conspiração?

As teorias da conspiração estão mais difundidas do que pensamos. No caso da Maçonaria, são o resultado dos segredos com os quais estas organizações atuam, e da decadência do pensamento crítico, racional. Pensar que há grupos que controlam tudo é uma falsa reação de defesa, porque está baseada em uma informação insuficiente e conduz a uma passividade, a não se fazer nada, «porque as coisas não vão mudar».

No caso da Maçonaria, muitas pessoas creram e ainda crêem que ela tem um poder quase ilimitado para controlar as fontes do poder. Como diria Belloc (Hilaire), é pouco inteligente negar que existem conspirações, mas é uma loucura atribuir-lhes um poder exagerado. Por outro lado, a «conspiração» não é um fator privativo da Maçonaria nem de nenhuma organização secreta. Ainda que tenha adquirido um tom pejorativo, «conspirar» quer dizer combinar com outras pessoas para conseguir algo. A sociedade deveria ser uma vasta conspiração para conseguir o bem comum (Este é o pensamento da UNIMERJ). 

Será que existe mesmo uma Maçonaria visível e outra invisível?

Os «superiores desconhecidos» não existem, posso afirmar, ou pelo menos não tenho nenhum indício para pensar que existam. Contudo, é verdade que este foi um dos temas favoritos do que chamo a «anti-maçonaria irracional». É muito cômodo pensar que em algum lugar secreto um pequeno grupo de homens dirige os destinos do mundo, mas ninguém pôde demonstrar nunca sua existência. Os diferentes maçons do mundo não trabalham coordenadamente e em muitas ocasiões se enfrentam entre si e o único vínculo entre eles é o constituído pelos princípios fundamentais da Ordem. Aí radica a essencial unidade de ação de todos os maçons, e não em um mando único e oculto.

E a Maçonaria e a Igreja Católica?

Este é um tema difícil de ser comentado. Nos Seminários de Liderança Maçônica me dedico a explicar com detalhes alguns dos elementos doutrinais essenciais de toda a Maçonaria. Todos esses princípios entram em confrontação com a doutrina Católica, dita de Jesus Cristo. Como disse o Papa Leão XIII, a Maçonaria e a Igreja são duas realidades tão incompatíveis que entrar em uma delas é sair da outra, automaticamente.

E os Maçons que afirmam conseguir conciliar ambas as instituições?

Sim, mas se lhes perguntarmos, se eles se vêem obrigados a admitir que são compatíveis com uma forma «não dogmática» de catolicismo, o que não é mais que um jogo de palavras: são compatíveis com um catolicismo que não leve a fé tão a sério. Neste sentido, muitos Grãos Mestres da Maçonaria tiveram de admitir que em muitas ocasiões os Maçons têm muito pouco conhecimento das exigências doutrinais da Maçonaria, o que em alguns casos pode conduzir a que uma pessoa, por ignorância, ache possível ser Maçom e católico ao mesmo tempo, mas em si, são doutrinas que se excluem mutuamente.

Será que todos os Irmãos estão cientes de seu papel dentro da Ordem?

Acredito que deveriamse interessar mais em compreender qual é a essência da Maçonaria. Como forma, acredito, de terem à sua disposição uma explicação detalhada dos ingredientes intelectuais dessa instituição, de sua origem, sua história e de suas relações reais com a fé católica. Ou seja, através de um estudo sistemático encontrarão respostas a perguntas que se formulam em muitos livros sobre o tema e que falam das bondades dos Maçons, mas sempre se deixa no tinteiro uma explicação razoável e convincente do que é a Maçonaria. Também neste trabalho se encontram muitas chaves da difusão do pensamento Maçônico fora dos confins da lógica. O Irmão-Estudante não só deve se informar sobre a Mmaçonaria, mas – o que é muito mais importante –, ele deve fazê-lo com elementos suficientes para formar seu próprio juízo sobre a Ordem, baseado em realidades, e não em conjecturas.

Por este motivo lembro aos Queridos Irmãos e Amigos leitores, que existe uma grande diferença em QUERER SER MAÇOM E PODER SER MAÇOM, pois muitos se encontram perdidos entre as duas situações.

Fraternalmente.

Ir.'. Eduardo Stelman 

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